Curtinhos, Histórias Musicais

Traiçoeira

Algo muito estranho está acontecendo. Como se eu fosse um computador e algo não estivesse funcionando direito no sistema. Exceto que não sou um computador, e as coisas que estou sentindo são demasiadamente humanas. Ainda assim, elas não parecem reais. Não se parecem comigo. Só pode ser químico. Algo errado no meu cérebro.

Tudo começa a girar, a perder o foco, e eu me sinto extasiada, inebriada, em outro plano. Efeito de drogas, penso. Fui drogada sem perceber. Como a proibida sensação das piores substâncias, isso se parece. Delicioso. É disso que preciso. Somente. Disso. Você.

Sim, é você. É você que está causando isso, todo esse alvoroço. É você, que só de estar ao meu lado deixa-me em um êxtase mudo, porém incontrolável. E estou completamente indefesa para lutar contra a maneira como me deixo levar quando você passa. Cada mínimo movimento seu é demais pra mim. Sei que apenas uma dose de você bastaria para que eu nunca mais fosse a mesma. Mas será que…?

Não. Não devo.

Eu nunca mais seria a mesma.

Eu poderia virar na direção oposta quando sinto tudo isso. Correr para bem longe, agora mesmo, por exemplo, deixar a escuridão dessa festa e encontrar abrigo debaixo da sensata luz fluorescente do meu quarto. Fugir dessa áurea de prazer que você emana, como se garras invisíveis, tão letais quanto fumaça, tentassem me prender para sempre nos seus braços.

Com certeza você faz de propósito. A culpa é toda sua.

Você está perto, cada vez mais perto, e sinto meu controle se perder cada vez mais rápido. Despeço-me de inibições, da razão, de qualquer coisa que parecia importante para mim em qualquer outro dia da minha vida. Nesse momento, nada mais importa. Nada além dessa sensação.

NA-DA.

Você se aproxima e sei que somente um toque será o meu fim. Tudo o que é preciso é provar a primeira vez. Uma será o bastante para uma overdose. E se isso acontecer hoje, a culpa é toda e completamente – somente – sua. Antes mesmo de provar, já sou uma viciada.

Você chega ao meu lado, sua boca ao pé do meu ouvido: “Pare de viver em segurança, garota, eu quero que você perca o controle.” Sinto sua mão em minha nuca, e nada mais importa, além disso, e da sua boca entreaberta, do seu corpo curvilíneo e quente ao meu lado. As luzes piscam, e estou completamente contaminada. A fumaça me tomou por dentro e creio ser tarde demais. Você está no meu sangue, correndo nas minhas veias, dominando meu corpo, meu cérebro. E sei que falta muito pouco para tudo mudar. É apenas questão de tempo.

Você está tão perto e eu só quero experimentá-la.

Eu poderia correr, mas sei que seria inútil.

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Ouça a música que inspirou essa história:

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