Histórias Musicais

Histórias Musicais – O novo projeto do blog

Toda música conta uma história. Muitas vezes, partes dela. Trechos que nos permitem imaginar uma série de acontecimentos por trás daquelas poucas palavras. Mas e se pudéssemos ir além dos limitados versos de uma canção?

Tarde da noite, enquanto dirigia para casa um dia desses, escutava uma música intrigante. Linda e cheia de expressões abstratas, fez com que minha mente entrasse em uma concentrada missão de imaginar para ela uma história que a desse sentido (ainda não consegui, mas sigo tentando). Nessa noite veio a inspiração para criar o projeto que hoje lhes apresento, o Histórias Musicais.

Historias_Musicais_BarbaraMachad0

O projeto consiste em criar pequenas histórias baseadas em músicas. Desenvolver, em forma de palavras, uma versão estendida da narrativa contida numa canção. Em alguns casos, como o de hoje, a história será compatível com o videoclipe oficial. Em outros, não. Sou apaixonada por videoclipes, mas eles muitas vezes não representam bem as músicas que tanto amamos, não é mesmo? Aqui, o objetivo é ser fiel à canção. Vamos começar? Confira abaixo o resultado do primeiro experimento do projeto:

Attention
Charlie Puth

Historias_Musicais_1_BarbaraMachad0_Attention

Ela andou espalhando sujeita por todos os lados. Difamando-me entre os amigos e conhecidos. Ela sabia que isso só podia resultar em confronto, e era exatamente isso o que aquela manipuladora desejava. Eu sabia, desde o princípio, do jogo dela. Andou invadindo todas as festas da cidade, sabendo que eu estaria em alguma delas, tentando encontrar para ela um monte de substitutas.

Há alguns meses, ela saiu da minha vida sem se despedir. Acordei com um bilhete no seu lado frio da cama. Adeus, dizia ele, e nada mais. Corri em seu encalço, para ouvir que ela não encontrava em mim o que precisava. Calculista, deixou-me em pedaços.

Até que, tempos depois, em meio às luzes coloridas e música ensurdecedora, eu a vi. Eu ainda pensava nela dia sim, dia não. Meu coração ardeu, mas o meu desejo por ela ardeu ainda mais. E ela o sentiu, do outro lado do salão. Sorriu para si mesma, e passou a língua nos lábios, saboreando o poder da minha derrota. Fingindo não me ver, flertou com tantos outros, e cada mão masculina que ousou encostar nela agitou uma besta dentro do meu peito. “O que você está fazendo?”, eu pensava, queimando de ciúme, sabendo que ela podia sentir a pergunta como se soasse tão alta quanto a música.

Quando cansou de brincar com todos os homens que a abordaram, fixou os olhos em mim. Bateu os cílios, mordeu os lábios. Eu tinha uma garota bonita à minha frente, tocando-me o braço e disposta a conhecer-me além daquela noite. Mas bastou a breve atenção dela para que eu, presa fácil, fosse atraído até aquela criatura que exalava sensualidade, como um animal fiel e obediente, hipnotizado, que se aproxima de boa vontade para o abate do predador. Em dois segundos, eu abandonara a outra e já estava em cima dela, falando-lhe ao ouvido, aceitando um convite que ela ainda nem havia me feito. Patético. Ela agia surpresa, mas francamente, pensei, “o que você esperava?”.

O vestido que me mostrava todas as suas curvas e o perfume familiar estavam me enlouquecendo, trazendo de volta todas as memórias de quando ela era minha. De quando eu a possuía, na calada da noite, revelando os mistérios que seus vestidos tentavam manter, e de toda a paixão que aquele cheiro de perfume estava associado. Eu definitivamente era a presa mais carnívora que já se viu. Naquele momento, não havia nada mais no mundo que eu quisesse mais do que devorá-la.

Mas ela, já de garras de fora, sabia muito bem do tumulto que me causava por dentro. Tramara, há muito, cada movimento. Ela não queria o meu amor, só não suportava a ideia de que eu fosse para casa com outra pessoa e a esquecesse. Estava disposta a dormir comigo, dar-me a noite dos meus sonhos, só pelo prazer de vencer mais uma rodada. Cego, a levei debaixo do braço, de boa vontade, apreciando a chance de uma noite de ilusão. Deixei quem podia ser a mulher da minha vida sozinha no salão, e carreguei minha punição para o calor da minha cama.

Antes que chegássemos ao quarto, na segurança do meu lar sem concorrentes, ela encontrou motivo para gritar-me ofensas. Enfurecido, gritei-lhe de volta que ela não tinha o direito de brincar comigo daquela maneira. Que vê-la me transtornava, com toda aquela provocação desnecessária, e ela sabia disso. E para quê, se nada queria comigo?

Minha confissão de vulnerabilidade, no calor do momento, dava-a por satisfeita. Ela puxava-me para si, tentadora, tirava as roupas, despia-me com sede, beijava-me com ardor, mordia-me os lábios, arranhava-me. O desejo por ela fazia-me abandonar qualquer resquício de razão, amor-próprio ou responsabilidade. Engoli todas as ofensas sem reclamação. Deixei que me beijasse inteiro, que me tocasse como se me conhecesse, e ela fez sexo como se fizesse amor, tamanha era a dedicação de quem parecia entregue.

Puxando-me para si e agarrando-me os cabelos, ela fez com que meu coração perdesse o ritmo. Mas entregue era eu, que esquecendo de que aquilo não passava de um jogo, lhe disse, sem qualquer censura, que não podia viver sem ela. Ela só riu, como quem chega ao fim da partida com um xeque-mate perfeito, e terminou a tarefa sem estragar o disfarce. Ao fim de tudo, as cortinas fecharam-se, e ela abandonou o leito do mesmo jeito que entrou: de repente, na calada da noite.

Dessa vez nem bilhete deixou.
___________________________________________

Ouça a música que inspirou esta história:

E aí, o que achou do projeto? Deixe seu comentário e uma dica da próxima música que gostaria de ver como História Musical! 😉

 

3 thoughts on “Histórias Musicais – O novo projeto do blog”

  1. Oi, Bárbara! Não conhecia a música (gostei, por sinal. Rs)
    Como disse pelo Instagram: amei a idéia do projeto. Muito criativa!!! Gostei demais do seu texto também. Parabéns!!!

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